Livro ‘Jantar Secreto’ aborda hierarquias sociais e desumanização
Crítica ao romance de Raphael Montes destaca como a obra usa o canibalismo para refletir sobre a valorização desigual de vidas na sociedade brasileira.
O romance Jantar Secreto, de Raphael Montes, vai além do choque do canibalismo ao explorar a hierarquização das vidas humanas e a desumanização de grupos vulneráveis.
A trama apresenta quatro amigos que organizam um jantar onde a carne humana é servida a quem paga alto preço, escolhendo como vítimas pessoas sem vínculos familiares, abandonadas em hospitais ou em situação de rua.
Essas vítimas simbolizam a forma como a sociedade costuma desvalorizar indivíduos em situação de vulnerabilidade, refletindo mecanismos históricos de castas e hierarquias analisados por Isabel Wilkerson em seu estudo sobre desigualdade.
Do outro lado da mesa, os comensais são retratados como membros da elite – advogada criminalista, ex‑playboy, empresários e políticos corruptos – que, apesar de prestígio e riqueza, se entregam a práticas extremas que violam direitos humanos.
A crítica sugere que, na realidade, esses perfis aparecem frequentemente nas notícias, evidenciando como a desumanização pode transformar certos grupos em “pratos” metafóricos, comparáveis a animais de criação.

